terça-feira, 8 de dezembro de 2015

ROMANCE ANTONIO BUROKÔ - Escritor Domingos Ailton

                            
Por: Valdeck Almeida de Jesus

Romance Antonio Burokô será lançado em Salvador na quarta-feira, 9 de dezembro, às 17h, na Fundação Casa de Jorge Amado no Largo do Pelourinho em Salvador, o escritor jequieense Domingos Ailton, membro da Academia de Letras de Jequié, diretor regional do Sinjorba  e professor da Uesb, faz palestra sobre a religiosidade e cultura afro brasileira no sertão de Jequié  e lança seu mais novo  livro, Antônio Burokô.

Segundo Domingos Ailton a religiosidade e cultura afro brasileira no sertão de Jequié apresentam aspectos singulares e influências regionais. “Os pais e mães de santos, respectivamente, são chamados pelo povo  jequieense de curadores e curandeiras. Existe uma associação sincrética entre caboclos e orixás  e a região pastoril  do sertão de Jequié  passou   influenciar  a presença marcante  nos terreiros de Candomblé  de entidades que são incorporadas no transe místico,  a exemplo do boiadeiro”, relata. Na região de Jequié o berimbau não é produzido a partir da biriba como ocorre no Recôncavo Baiano. O arco  musical é confeccionado com calumbi, espécie de árvore que também produz o cabo da vassoura artesanal de palha.

Parte das informações sobre os aspectos peculiares da religiosidade ecultura afro brasileira no sertão de Jequié está no romance Antônio Burokô, de autoria de Domingos Ailton. A mitologia popular afro-brasileira com o fascínio dos orixás,  as festas e a resistência do povo de santo à perseguição contra  a religiosidade  e cultura  de origem africana, os saberes e fazeres populares  de tradição oral, expressões culturais,  a exemplo  do primeiro grupo de capoeira de Jequié, o   Banda da Lua compõe o romance.

Na década de 1940 quando o delegado Anibal Cajaiba de Oliveira persegue em  Jequié  terreiros de Candomblé, afoxés, batucadas, grupos de capoeira e outras manifestações da religiosidade e  da cultura afro-brasileira, o  pai de santo Antônio Burokô, proveniente de Cachoeira, no Recôncavo Baiano,  chega na cidade e  com sua força  espiritual  deixa confusa e faz até a polícia sambar; os capoeirista do Banda da Lua    enfrentam  a repressão policial com os golpes dinâmicos e criativos do   gingado da capoeira. O contexto político da época, com as discussões e atuações de intelectuais jequieenses durante o período do  Estado Novo e da Segunda Guerra Mundial,  também faz parte desta produção literária de Domingos Ailton, que é mestre em Memória Social e Documento pela UNIRIO.

Baseado em fatos reais,  Antônio Burokô, de Domingos Ailton,  faz um passeio pelo universo da religiosidade e da cultura popular baiana. Descreve  de maneira etnográfica expressões  da religiosidade e das manifestações cultuais da Bahia como o caruru para os santos gêmeos Cosme e  Damião, a procissão marítima de Nosso Senhor dos Navegantes, a Lavagem do Bonfim, a Festa de Iemanjá, a Romaria de Bom Jesus da Lapa,  a  riqueza  cultural do bairro Joaquim Romão  e o  Carnaval em Jequié além de fazer referência  aos guardiões da memória, chamados pelo autor de  museus vivos do povo, que contam  episódios da luta da população  pela independência  na Bahia.

O romancista revela   que a perseguição aos terreiros de Candomblé tem  como base  o racismo contra os negros e a intolerância religiosa. A dupla pertença ou a prática do sincretismo religioso tão presente na Bahia onde pessoas frequentam o Candomblé e a Igreja Católica, aparece no romance como um acontecimento que está  no inconsciente da memória coletiva.

O  livro mostra ainda, misturando ficção com acontecimentos reais, episódios da história de Jequié como o primeiro protesto ecológico que ocorreu na cidade por conta da derrubada de uma  gameleira e o toque das cornetas dos guardas municipais às 10 horas da noite, para que as tradicionais famílias se recolhessem e as prostitutas pudessem  sair às ruas, o que  serviu  inspiração para que  o consagrado poeta  Natur de Assis escrevesse um poema.

Antônio Burokô é uma obra que apresenta com lirismo  e habilidade literária  a força da resistência da religiosidade e cultura afro-brasileira. Uma história  que  revela mistério e encantamento, luta e  criatividade  do saber afro-brasileiro.

A palestra e o lançamento do livro contam com apoio institucional da Fundação Casa de Jorge Amado.


Núcleo de apoio a Educação e a Cultura 
OBSERVATÓRIO Ação SOCIAL - Jequié
Participação Popular Cidadã





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